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Fernanda Medeiros Perin
Quem
tem filho sabe bem o que é a preocupação
e incomodação com acidentes. Quedas de
bicicleta, do muro, da árvore ou incidentes durante
a prática de esportes são muito comum
durante a infância e a adolescência. Os
resultados destes episódios são cortes,
arranhões, membros e dentes quebrados. O importante
nesses casos é não entrar em desespero
e tomar os devidos cuidados. As lesões traumáticas
dos dentes são consideradas situações
de emergência odontológicas que exigem
do profissional muita calma, bom senso e atendimento
imediato. Tais lesões ocorrem com mais freqüência
em crianças e adolescentes, tento como principal
razão as práticas desportivas. O grupo
dos dentes superiores é mais vulnerável,
sofrendo aproximadamente 80% das lesões dentárias
e comprometendo em potencial a aparência do sorriso.
O restabelecimento estético e funcional do paciente
depende do tempo de ocorrência do acidente e da
área de extensão, que tem também
um papel decisivo para a melhora de estado emocional.
O
atendimento do paciente traumatizado deve ser o mais
rápido possível. Além de estar
preparado para conduzir o tratamento inicial corretamente,
o profissional deve procurar tranqüilizar o acidentado
e seus acompanhantes. Uma vez descartada a possibilidade
de risco de vida, deve ser realizada a limpeza dos ferimentos
e um minucioso exame bucal. Recomenda-se ainda associar
um exame radiográfico para avaliar alguma alteração
não detectada clinicamente. Dependendo do tipo
de lesão e do local onde acorreu o acidente,
o paciente deverá receber vacina antitetânica.
Os
traumas dentários podem variar desde uma simples
fratura de esmalte e/ou dentina até lesões
mais complexas, como a remoção do dente
de seu alvéolo. Nesses casos, a primeira escolha
é reimplante. O sucesso do procedimento está
diretamente relacionado com o tempo em que o dente permaneceu
fora do alvéolo e o modo de conservação
do dente até o reimplante. Por esta razão,
durante o deslocamento do paciente ou enquanto o mesmo
aguarda atendimento, o dente que caiu deve ser armazenado
em um copo contendo leite, soro fisiológico,
água destilada ou mesmo deixá-lo na boca
em contato com a própria saliva. É importante
orientar o paciente para não tocar na raiz do
dente, devendo segurá-lo pela coroa com uma gaze.
O tratamento de canal (endodontia) deve ser iniciado
num prazo de uma semana após o reimplante, a
fim de prevenir a reabsorção da raiz,
que poderá levar a perda gradativa do dente.
Independente
do tipo de tratamento que o paciente traumatizado é
submetido também é necessário uma
cuidadosa e contínua higiene bucal, bem como
a utilização de protetores bucais, principalmente
durante a sono e práticas desportivas. Na realidade,
o ideal é o emprego dos protetores bucais, durante
a prática e esportes, antes mesmo de acorrer
algum tipo de acidente envolvendo a dentição,
assumindo na prevenção um enfoque importante
do cotidiano.
* Fernanda Medeiros Perin, dentista, mestre em
endodontia
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