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Jornal A Notícia - 16/04/2003
OPINIÃO
Riscos das lesões dentárias


   

* Fernanda Medeiros Perin

Quem tem filho sabe bem o que é a preocupação e incomodação com acidentes. Quedas de bicicleta, do muro, da árvore ou incidentes durante a prática de esportes são muito comum durante a infância e a adolescência. Os resultados destes episódios são cortes, arranhões, membros e dentes quebrados. O importante nesses casos é não entrar em desespero e tomar os devidos cuidados. As lesões traumáticas dos dentes são consideradas situações de emergência odontológicas que exigem do profissional muita calma, bom senso e atendimento imediato. Tais lesões ocorrem com mais freqüência em crianças e adolescentes, tento como principal razão as práticas desportivas. O grupo dos dentes superiores é mais vulnerável, sofrendo aproximadamente 80% das lesões dentárias e comprometendo em potencial a aparência do sorriso. O restabelecimento estético e funcional do paciente depende do tempo de ocorrência do acidente e da área de extensão, que tem também um papel decisivo para a melhora de estado emocional.

O atendimento do paciente traumatizado deve ser o mais rápido possível. Além de estar preparado para conduzir o tratamento inicial corretamente, o profissional deve procurar tranqüilizar o acidentado e seus acompanhantes. Uma vez descartada a possibilidade de risco de vida, deve ser realizada a limpeza dos ferimentos e um minucioso exame bucal. Recomenda-se ainda associar um exame radiográfico para avaliar alguma alteração não detectada clinicamente. Dependendo do tipo de lesão e do local onde acorreu o acidente, o paciente deverá receber vacina antitetânica.

Os traumas dentários podem variar desde uma simples fratura de esmalte e/ou dentina até lesões mais complexas, como a remoção do dente de seu alvéolo. Nesses casos, a primeira escolha é reimplante. O sucesso do procedimento está diretamente relacionado com o tempo em que o dente permaneceu fora do alvéolo e o modo de conservação do dente até o reimplante. Por esta razão, durante o deslocamento do paciente ou enquanto o mesmo aguarda atendimento, o dente que caiu deve ser armazenado em um copo contendo leite, soro fisiológico, água destilada ou mesmo deixá-lo na boca em contato com a própria saliva. É importante orientar o paciente para não tocar na raiz do dente, devendo segurá-lo pela coroa com uma gaze. O tratamento de canal (endodontia) deve ser iniciado num prazo de uma semana após o reimplante, a fim de prevenir a reabsorção da raiz, que poderá levar a perda gradativa do dente.

Independente do tipo de tratamento que o paciente traumatizado é submetido também é necessário uma cuidadosa e contínua higiene bucal, bem como a utilização de protetores bucais, principalmente durante a sono e práticas desportivas. Na realidade, o ideal é o emprego dos protetores bucais, durante a prática e esportes, antes mesmo de acorrer algum tipo de acidente envolvendo a dentição, assumindo na prevenção um enfoque importante do cotidiano.


* Fernanda Medeiros Perin, dentista, mestre em endodontia

 

   
     
     
 
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