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*Graziela
de Luca Canto / Professora do Curso de Odontologia da
UFSC.
No
Brasil, ainda há uma grande parcela da população
que não tem acesso aos serviços de saúde.
A evolução das técnicas e dos materiais
tem tornado a Odontologia cada vez mais elitista e de
acesso a uma população mais restrita.
Será que isso ocorre porque no Brasil há
poucos dentistas? Será este o motivo de sermos
conhecidos como o "país dos desdentados"?
Certamente não. A Organização Mundial
da Saúde (OMS) recomenda que para cada 1,5 mil
habitantes haja um dentista. No Brasil, esta relação
é de 961 habitantes para cada dentista, 35% acima
da média recomendada pela OMS. Além disso,
temos 138 Cursos de Odontologia, enquanto os Estados
Unidos tem somente 50. A Odontologia brasileira, bem
conceituada mundialmente, conhece inúmeras técnicas
revolucionárias. Há no mercado materiais
inovadores surgindo com uma velocidade absurda. Nossos
alunos aprendem a executar seus trabalhos com perfeição.
Se temos mão-de-obra qualificada e tecnologia
sobrando, então por que tantas pessoas não
têm acesso a saúde bucal? Será que
o dentista está preparado para promover a saúde,
ou simplesmente para tratar (com excelente técnica)
a doença? Será que a resina da cor do
dente é superior ao dente natural? Será
preferível uma bela prótese sobre implante
ou um protetor bucal que impeça o traumatismo
e a perda do dente? Será que um aparelho ortodôntico
é melhor que a educação do paciente
para que hábitos indesejáveis que alterem
o posicionamento dentário sejam eliminados? É
claro que é importante e nos traz orgulho saber
que nosso alunos têm excelente capacidade técnica.
Deixa-me feliz ver a repercussão da Odontologia
catarinense no cenário mundial. Entretanto, a
experiência associada ao questionamento me faz
pensar que precisamos mudar o perfil do profissional
que estamos formando. Precisamos ensinar aos nossos
alunos a preservar e promover a saúde, e não
somente tratar a doença.
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