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Jornal AN Capital - 30/03/2001
Amamentação artificial
   
     

Graziela de Luca Canto
Amamentar o filho no peito é o sonho de toda a mãe. Os inúmeros benefícios do leite materno são expostos por médicos e enfermeiras todos os dias. Sabe-se que além do aspecto emocional do contato indispensável da criança com a mãe, há os benefícios nutritivos e imunes. Todas as pessoas, das menos às mais instruídas, sabem desenrolar uma lista de benefícios da amamentação natural. Além disso, durante o pré-natal, essas informações são reforçadas pelo médico. Naõ há dúvida de que a alimentação natural é o melhor caminho para a boa saúde da criança.

Porém, se por algum motivo especial a mãe não consegue amamentar o seu filho no peito, ela precisa encontrar alguma alternativa para alimentar o bebê. E deve seguir essa alternativa da melhor possível, sem se sentir repreendida e desamparada. Para isso, é preciso que médicos, enfermeiras e outros profissionais envolvidos no pré-natal, orientem as mães sobre a possibilidade da introdução precoce da alimentação artificial, quando necessário. Não aidanta todos fecharem os olhos para uma situação que é real: muitas crianças, infelizmente, não são amamentadas no peito.

A amamentação artificial praticada de forma correta também pode trazer aconchego à criança, já que o amor transmitido pela mãe é o mesmo no peito e na mamadeira. Para suprir a necessidade emociaonal do bebê, o importante é que o momento da amamentação seja tranquilo, especial carinhoso. A mãe não deve ter pressa, nem falar ao telefone, comer ou fumar neste momento maravilhoso e único. A criança deve ser amamentada sentada no colo, em posição ereta e, nunca, abandonado no berço em uma pilha de travesseiros. Além disso, o bico da mamdeira deve assemelhar-se ao máximo com o bico do seio materno e deve ter um furo mínimo, para que o leite goteje, fazendo com que a criança faça uma força de sucção semelhante àquela que faria no peito da mãe.

Em relação ao conteúdo da mamadeira, já existem leites de excelente qualidade que devem ser utilizados sob recomendação médica. O leite de bebê não precisa da adição de açúcar, frutas ou farinhas, o que poderia facilitar o desenvolvimento da cárie dentária ao surgimento dos primeiros dentes de leite.

Tomando esses cuidados e não deixando que o hábito da mamadeira ultrapasse os dois anos de idade, a face e a cavidade bucal do bebê se desenvolverão normalmente. A falta dessas informações faz com que as crianças tornem a mamadeira sozinhas e deitadas, com um bico com um furo grande (para acabar mais rápido), com o leite acrescido de achocolatados e permanecendo com esse hábito após os 5 ou 6 anos. Essa sucessão de fatores, provavelmente, trará alterações à arcada dentária, como a mordida aberta anterior e a mordida cruzada posterior, prejudicando funções básicas como respirar, falar, mastigar e engolir. Problemas estes que não se auto-corrigem, ou seja, só poderão ser corrigidos por meio de aparelhos ortodônticos.

Sendo assim, será que é melhor, nós, profissionais da saúde, tomarmos coragem de falar sobre amamentação artificial às gestantes, ou fecharmos os olhos deixando que os bebês de hoje transformem-se nas crianças com problemas ortodônticos de amanhã ?

     
 
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